
O Brasil que Lula encontrou. O Brasil que mudou. E o tanto que ainda falta.
Comida, salário, escola, luz e moradia: a transformação do país também pode ser contada pelo que passou a caber na vida de uma família.
A tomada acesa numa casa do interior, o primeiro filho na faculdade, o remédio retirado sem pagar no balcão. O Brasil dos governos Lula pode ser contado por essas mudanças pequenas o bastante para caber numa sala e grandes o bastante para alterar o destino de uma família. Nenhuma delas aparece inteira numa fotografia de cerimônia em Brasília.
Quando Lula assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, colocou a fome no centro do governo. O país produzia alimentos, exportava e tinha grandes empresas. Mesmo assim, milhões de brasileiros não conseguiam assegurar a próxima refeição. A pobreza era tratada com frequência como um problema que o crescimento resolveria depois. Lula inverteu a ordem: quem estava com fome não tinha como esperar.
O Fome Zero articulou iniciativas que, ao longo dos anos, ganharam escala e organização. O Bolsa Família reuniu transferências de renda; o Programa de Aquisição de Alimentos aproximou a agricultura familiar de quem precisava comer; a valorização do salário mínimo ampliou o poder de compra. Com emprego e renda, a comida deixou de depender apenas de uma distribuição eventual.
A mudança foi além da mesa. O Luz para Todos levou eletricidade a comunidades rurais. O Prouni abriu bolsas no ensino superior privado, enquanto novas universidades, campi e institutos federais aproximaram a educação pública do interior. A existência dessas portas não eliminou o esforço de estudar. Mudou quem podia chegar até elas.

No SUS, o Brasil Sorridente ampliou a atenção à saúde bucal. A Farmácia Popular reduziu despesas que pesavam todo mês. O Minha Casa, Minha Vida, criado em 2009, levou a habitação popular para o centro da política federal. Para quem tinha um salário curto, cada serviço público disponível liberava uma parte da renda para outra necessidade.
Essas políticas atravessaram governos e passaram por ampliações, cortes e retomadas. A primeira saída do Brasil do Mapa da Fome, em 2014, reuniu resultados dos governos Lula e Dilma. O retorno da fome mostrou que conquista social exige continuidade. Na volta de Lula à Presidência, em 2023, recuperar proteção, emprego e renda voltou a ser prioridade.
Os resultados recentes dão dimensão a essa recuperação. Entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de pessoas deixaram a pobreza, segundo o IBGE. Em 2025, o país saiu novamente do Mapa da Fome. A taxa média anual de desemprego de 2025 caiu a 5,6%, a menor da série da PNAD Contínua, iniciada em 2012. São medidas diferentes, mas descrevem uma vida material que melhorou.
Há ainda um país enorme para alcançar. Em 2024, quase 49 milhões de pessoas continuavam abaixo da linha de pobreza utilizada pelo IBGE. Casa, transporte, saneamento e atendimento de saúde seguem insuficientes em muitos lugares. Reconhecer o que Lula mudou dá uma medida concreta do que cobrar daqui para a frente: salário que compre mais, escola acessível, comida regular e serviços que cheguem também ao endereço de quem sempre ficou por último.
Fontes
- IBGE: Síntese de Indicadores Sociais
- FAO: a nova saída brasileira do Mapa da Fome
- IBGE: desemprego médio anual de 2025
- Agência Brasil: lançamento do Fome Zero em 2003
