
O Brasil saiu do Mapa da Fome. De novo.
O país voltou a vencer uma marca vergonhosa. A trajetória mostra que comida na mesa depende de renda, trabalho e decisão de governo.
Uma panela de arroz e feijão costuma parecer uma cena simples. Para quem passou um período sem saber se haveria comida amanhã, ela representa outra coisa: regularidade. Comer todos os dias, sem reduzir a porção dos adultos para sobrar para as crianças, é uma mudança na vida que precisa aparecer também na história do país.
Em 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, anunciou que o Brasil havia saído novamente do Mapa da Fome. O resultado se refere ao triênio 2022–2024. O país voltou a ficar abaixo de 2,5% no indicador de prevalência de subalimentação, usado para acompanhar a falta habitual de calorias suficientes.
A palavra novamente carrega uma história. O Brasil já havia saído desse mapa em 2014, depois de mais de uma década de fortalecimento da proteção social e das políticas de alimentação. Os primeiros governos Lula construíram parte decisiva dessa trajetória; o governo Dilma deu continuidade às ações. A fome, que parecia condenação permanente, recuou diante de uma escolha política.
Lula havia iniciado o governo de 2003 pelo Fome Zero. O Bolsa Família trouxe renda regular para famílias pobres. A compra de alimentos da agricultura familiar abasteceu instituições e iniciativas de combate à fome. A valorização do salário mínimo e a expansão do emprego ajudaram a aumentar o dinheiro disponível para comprar comida. Alimentação ganhou orçamento, instituições e acompanhamento.

O país perdeu terreno nos anos seguintes e voltou ao Mapa da Fome. A pandemia agravou uma situação já marcada por enfraquecimento da proteção e dificuldades no mercado de trabalho. Isso desfez a ideia de que uma conquista social, depois de alcançada, permanece por conta própria. Quem perde renda sente a regressão antes de ela entrar num relatório.
A retomada de Lula em 2023 recolocou o combate à fome no centro da ação federal. O Bolsa Família foi reestruturado, o Programa de Aquisição de Alimentos retomado e o Plano Brasil Sem Fome reuniu políticas de diferentes áreas. Ao mesmo tempo, a recuperação do trabalho e da renda fortaleceu a capacidade de comprar alimentos. A resposta combinou proteção imediata e oportunidades de sustento.
Sair do mapa significa ultrapassar um limite estatístico, e esse limite não quer dizer que todas as famílias estejam alimentadas adequadamente. Falta de comida, dieta de baixa qualidade e insegurança alimentar são problemas que continuam exigindo ação. O próprio acompanhamento da FAO utiliza indicadores diferentes para essas situações. A vitória tem tamanho real e deixa uma tarefa concreta.
Em 2026, o relatório da ONU confirmou a permanência brasileira fora do Mapa da Fome, agora com dados de 2023–2025. A continuidade importa tanto quanto a primeira melhora. Um país capaz de alimentar sua população precisa manter renda, abastecimento, escola com merenda e uma rede pública que reconheça a fome antes que a panela fique vazia outra vez.
Fontes
- FAO: Brasil voltou a sair do Mapa da Fome
- FAO: mapas de fome e insegurança alimentar
- MDS: permanência fora do mapa no relatório de 2026
- MDS: balanço do Brasil Sem Fome
