
Houve um tempo em que dentista no serviço público quase sempre significava arrancar o dente
O Brasil Sorridente ampliou o cuidado para além da urgência. Prevenção, tratamento e reabilitação passaram a ocupar espaço na política nacional.
A dor de dente pode impedir alguém de dormir, comer e trabalhar. Por muito tempo, brasileiros pobres chegaram ao atendimento público já numa situação grave e encontraram uma resposta limitada: retirar o dente. A falta de acesso regular tornava a perda uma experiência comum. O problema começava muito antes da cadeira do consultório.
O histórico da saúde bucal brasileira registra um modelo de atendimento restrito e frequentemente mutilador. A prevenção e o tratamento especializado não estavam disponíveis de forma ampla. Quem podia pagar encontrava mais alternativas; quem dependia da rede pública muitas vezes procurava ajuda apenas quando a dor já não permitia esperar.
Em 2004, Lula lançou o Brasil Sorridente. A política procurou ampliar o acesso e mudar o tipo de cuidado oferecido no SUS. Equipes de saúde bucal na atenção básica, Centros de Especialidades Odontológicas e laboratórios de prótese passaram a integrar uma organização nacional de serviços.
Tratar antes de perder o dente exige acompanhamento. A atenção básica pode identificar problemas e orientar prevenção. Serviços especializados oferecem tratamentos que vão além da consulta inicial, conforme a necessidade e a organização da rede. A reabilitação com próteses atende pessoas que já sofreram perdas. Cada etapa atua numa parte diferente dessa história.

A mudança aparece também fora do consultório. Dor e dificuldade para mastigar afetam alimentação e trabalho. A perda dos dentes pode trazer constrangimento e limitar a convivência. Saúde bucal participa da vida social de uma pessoa, embora durante muito tempo tenha sido tratada como um cuidado secundário para quem não tinha dinheiro.
Em 2023, no terceiro governo Lula, a Lei nº 14.572 incorporou a Política Nacional de Saúde Bucal à Lei Orgânica da Saúde. O programa ganhou uma base legal de continuidade dentro do SUS. Uma política nacional não deveria depender apenas da disposição de cada governo para manter um nome ou uma iniciativa.
A existência da lei e da rede precisa se traduzir em atendimento. Falta de profissionais, materiais, estrutura e demora em encaminhamentos ainda exigem cobrança. O acesso varia entre municípios. Fortalecer o Brasil Sorridente significa assegurar que a pessoa encontre prevenção, tratamento e reabilitação no seu território, antes que a única resposta possível seja uma urgência.
Lula ajudou a colocar o sorriso dos brasileiros na política de saúde. A conquista pode ser reconhecida no direito de cuidar, conservar e recuperar a dentição. Numa família que sempre associou dentista público à extração, conseguir tratar um dente muda uma experiência que parecia destinada a se repetir.
Fontes
- Ministério da Saúde: Brasil Sorridente
- Ministério da Saúde: história da saúde bucal
- Lei nº 14.572: Política Nacional de Saúde Bucal
