
A primeira tomada da casa
O Luz para Todos levou eletricidade a milhões de famílias. Acender uma lâmpada mudou o tempo, o trabalho e as possibilidades dentro de casa.
O anoitecer costumava encerrar muitas tarefas nas casas rurais sem eletricidade. A luz de uma lamparina tinha pouco alcance, o alimento precisava ser conservado de outro jeito e o estudo competia com a claridade que ainda restava. Enquanto a cidade discutia tecnologia, uma parte do Brasil continuava esperando pela primeira tomada.
Em 2003, Lula criou o Luz para Todos para levar energia elétrica a famílias que haviam ficado fora da rede. A distância, o custo e a renda baixa faziam desses lugares uma prioridade social que o mercado não havia atendido. O programa organizou financiamento e execução para que o endereço rural deixasse de ser motivo para permanecer no escuro.
Eletricidade entra na vida por objetos conhecidos: uma lâmpada, uma geladeira, uma bomba de água, um aparelho de comunicação. A geladeira muda a conservação dos alimentos. A luz amplia o horário disponível para estudar. Um equipamento elétrico pode aliviar trabalho manual ou permitir uma atividade produtiva. A conexão abre possibilidades que antes exigiam deslocamento ou gasto maior.
Os resultados se acumularam ao longo de governos. Em dezembro de 2024, o Ministério de Minas e Energia informou que o Luz para Todos havia atendido mais de 3,7 milhões de famílias, beneficiando 17,5 milhões de pessoas desde 2003. Esse total reúne duas décadas de execução; a decisão de criar o programa pertence ao primeiro governo Lula.

A quantidade de ligações ajuda a medir a escala, mas uma instalação não conta tudo o que acontece depois. Uma criança pode fazer a tarefa à noite. Um pequeno produtor passa a utilizar equipamentos. Uma casa ganha condições melhores para guardar comida. O ganho depende também da qualidade do fornecimento e das condições de utilizar a energia com segurança.
Em localidades isoladas, a solução nem sempre é estender uma linha como se o território fosse igual em toda parte. Comunidades amazônicas exigem projetos adequados à distância e ao ambiente. Universalizar um serviço significa enfrentar essas diferenças, incluindo tecnologias que atendam lugares onde a rede convencional é difícil de levar.
A política também revela uma desigualdade antiga. Para quem sempre teve energia, apertar o interruptor parece um gesto sem história. Para quem esperou anos por uma ligação, ele representa a chegada de um serviço básico que já existia em outros endereços. O atraso não era falta de vontade da família de melhorar a casa.
Quando Lula decidiu tratar a eletrificação rural como responsabilidade pública, o país passou a investir para alcançar quem faltava. A primeira tomada materializou essa decisão. A tarefa de completar o acesso e assegurar um fornecimento confiável continua, especialmente nas comunidades mais distantes, onde a vida não pode depender de quanto lucro uma ligação promete.
