Delegação brasileira chega a um centro internacional de conferências ao amanhecer.

Viagens

O novo governo brasileiro se apresenta ao mundo

Das primeiras reuniões na América do Sul aos encontros na Europa, nos Estados Unidos e nas Nações Unidas, Lula apresentou um governo que buscava confiança econômica, integração regional e apoio internacional ao combate à fome.

2003 • Lula I 3 minutos

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1. O novo governo brasileiro se apresenta ao mundo

2003 • Lula I

Das primeiras reuniões na América do Sul aos encontros na Europa, nos Estados Unidos e nas Nações Unidas, Lula apresentou um governo que buscava confiança econômica, integração regional e apoio internacional ao combate à fome.

Abertura

Quando Lula assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, o Brasil atravessava uma mudança política observada com atenção no exterior. O novo presidente havia sido eleito com uma agenda social ambiciosa, mas encontrava uma economia marcada pela vulnerabilidade externa, pelo receio dos investidores e por dúvidas sobre a condução da política econômica. As primeiras viagens tiveram mais de uma função: demonstrar continuidade institucional, aproximar o país dos vizinhos e apresentar as prioridades que diferenciavam o novo governo. Entre elas estava o combate à fome, anunciado internamente pelo Fome Zero e levado desde o início aos fóruns internacionais.

O que estava em jogo

No plano econômico, interessava reduzir a desconfiança e manter canais abertos com mercados e parceiros. No plano regional, a prioridade era reconstruir a relação com a Argentina, fortalecer o Mercosul e ampliar a coordenação sul-americana. O governo também defendia maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais, mudanças nas regras do comércio agrícola e uma resposta internacional mais consistente à fome e à pobreza.

O percurso

A primeira viagem ocorreu em janeiro, para a posse de Lucio Gutiérrez, em Quito. Dias depois, Lula participou do Fórum Econômico Mundial, em Davos, reuniu-se na Alemanha com Gerhard Schröder e Johannes Rau e, na França, com Jacques Chirac e Jean-Pierre Raffarin. Nos meses seguintes, compareceu às posses de Néstor Kirchner e Nicanor Duarte Frutos, participou do diálogo ampliado do G8 em Évian, esteve na Conferência Internacional do Trabalho, encontrou George W. Bush em Washington e discursou na Assembleia Geral da ONU.

Encontros e decisões

Em Davos e Évian, Lula apresentou o combate à fome como questão internacional. Na América do Sul, a aproximação com Néstor Kirchner tornou-se central. Em outubro, os dois presidentes assinaram o Consenso de Buenos Aires, documento com posições comuns sobre desenvolvimento, emprego, dívida e integração. Paralelamente, o Brasil participou da formação do G20 comercial na OMC, articulação contrária a subsídios e barreiras agrícolas das economias ricas.

Resultados documentados

Foram realizados encontros com lideranças europeias, norte-americanas, sul-americanas e das Nações Unidas. O Consenso de Buenos Aires foi efetivamente assinado. O G20 comercial tornou-se uma coalizão atuante na Rodada Doha. A eleição do Brasil para o Conselho de Segurança no mandato 2004–2005 integrou uma mobilização diplomática ampla e não pode ser atribuída a uma viagem isolada.

O que aconteceu depois

A relação com a Argentina permaneceu como eixo regional, apesar de divergências comerciais. O G20 comercial continuou atuando, mas a Rodada Doha não foi concluída. O combate à fome reapareceu em reuniões com França, Chile, Espanha e organismos multilaterais. O principal resultado do primeiro ano foi estabelecer temas e interlocutores que orientariam os dois primeiros governos Lula.

Cronologia resumida

  • 15–16 jan: posse presidencial no Equador
  • 24–28 jan: Davos, Alemanha e França
  • maio: Peru e posse de Néstor Kirchner
  • 1–2 jun: G8 e OIT
  • jun: encontro com George W. Bush
  • set: Assembleia Geral da ONU
Fontes consultadas (4)
  • Biblioteca da Presidência — Viagens internacionais de 2003
  • Funag — Cronologia da Política Externa do Governo Lula 2003–2006
  • Consenso de Buenos Aires
  • Resenha de Política Exterior do Brasil
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Atualizado em 21 de setembro de 2026