
Diplomacia
Como o BRIC se transformou em uma articulação ampliada de países emergentes
Das primeiras cúpulas à reunião do Rio em 2025, o grupo buscou maior influência na governança internacional.
Imagem ilustrativa criada com IA
Um grupo maior e uma negociação mais difícil
O BRIC começou aproximando Brasil, Rússia, Índia e China; depois recebeu a África do Sul e passou a usar a sigla BRICS. Com a entrada de novos membros, o grupo ganhou alcance geográfico, peso econômico e diversidade política. Essa expansão também tornou mais difícil construir posições comuns.
A cúpula realizada no Rio de Janeiro, em 2025, colocou o Brasil na condução de debates sobre cooperação entre países do Sul, reforma das instituições internacionais, financiamento, saúde, clima e inteligência artificial. O Novo Banco de Desenvolvimento representa a face mais concreta dessa articulação ao financiar projetos em países membros e parceiros.
Os integrantes do BRICS não formam um bloco homogêneo. Têm regimes políticos, interesses estratégicos e relações externas diferentes. A força do grupo vem justamente da capacidade de negociar apesar dessas diferenças. Para o Brasil, o espaço amplia parcerias sem exigir o abandono de relações com outros países.
A cúpula do Rio mostrou uma ordem mundial em transformação, com economias emergentes buscando maior influência nas decisões. O resultado precisa ser medido por cooperação, financiamento e acordos que saiam das declarações. Ainda assim, sediar e conduzir a reunião reforçou a presença brasileira entre os países que disputam os rumos das instituições globais.
8. A construção do BRICS
Governo ou período Governos Lula II e III
Das primeiras cúpulas à reunião do Rio em 2025, o grupo buscou maior influência na governança internacional.
Da expressão à política
BRIC surgiu como expressão econômica para Brasil, Rússia, Índia e China. Os governos transformaram a classificação em mecanismo político. Em 16 de junho de 2009, os quatro líderes realizaram em Ecaterimburgo a primeira cúpula formal.
Brasília em 2010
A segunda cúpula ocorreu em Brasília em 15 de abril de 2010. Naquele momento, a África do Sul ainda não participava, por isso a sigla correta era BRIC. A agenda tratou de economia, comércio, desenvolvimento e reforma das instituições internacionais.
Entrada sul-africana
Com a entrada posterior da África do Sul, o grupo tornou-se BRICS. O novo integrante ampliou a presença africana, mas não transformou o mecanismo em representação oficial do continente. Os cinco países continuaram com interesses, alianças e regimes políticos diferentes.
Instituições e expansão
O BRICS criou o Novo Banco de Desenvolvimento para financiar infraestrutura e desenvolvimento. Posteriormente, incorporou novos participantes e formas de associação. A ampliação aumentou peso geográfico e econômico, mas tornou a construção de consenso mais complexa.
Interesse brasileiro
O Brasil utiliza o mecanismo para defender maior participação dos países em desenvolvimento em finanças, comércio, clima e segurança. A participação não exige escolher um único campo geopolítico; o país continua negociando com Estados Unidos, União Europeia e outros parceiros.
Cúpula do Rio
Em 2025, o Rio de Janeiro sediou a cúpula do BRICS. A Declaração do Rio foi adotada em 6 de julho. O Brasil conduziu as negociações, mas o texto foi decisão coletiva. Declarações orientam trabalhos e compromissos políticos sem executar automaticamente todas as propostas.
Efeitos e limites
Financiamento, comércio, pesquisa e infraestrutura podem produzir benefícios para a população. Isso depende de aprovação e execução de projetos. O BRICS ganhou importância como articulação de países que buscam maior influência, mas permanece marcado por diferenças internas e resultados que devem ser avaliados separadamente.
Destaques de dados
- 2009: primeira cúpula formal do BRIC
- 2010: segunda cúpula em Brasília
- 2025: Declaração do Rio adotada em 6 de julho
Fontes consultadas (4)
- BRIC — Declaração de Ecaterimburgo — 2009
- BRIC — Declaração de Brasília — 2010
- BRICS Brasil — Declaração do Rio de Janeiro — 2025
- Novo Banco de Desenvolvimento — Acordo constitutivo
Atualizado em 22 de setembro de 2026
