Imagem editorial de Lula usada como capa da matéria sobre inteligência artificial e eleições

Eleições 2026

Lula é o maior alvo da IA na eleição

Projeto VigIA encontrou 920 conteúdos eleitorais com uso confirmado de IA. Lula apareceu em 379 deles, quase o dobro de Flávio Bolsonaro.

Voa Lula · voalula.com

Lula é o maior alvo da IA na eleição

Levantamento do projeto VigIA identificou Lula como a figura pública mais retratada em conteúdos eleitorais com uso confirmado de inteligência artificial, com 379 aparições entre 16 de agosto e 28 de setembro.

Imagem editorial gerada por IA / Voa Lula

A inteligência artificial entrou de vez na campanha eleitoral brasileira. Um levantamento do projeto VigIA, realizado pela Agência Lupa em parceria com o Recod.ai da Unicamp, identificou 920 publicações político-eleitorais com uso confirmado de IA entre 16 de agosto e 28 de setembro. Lula foi a principal figura pública retratada: apareceu em 379 conteúdos. Flávio Bolsonaro apareceu em 190.

Lula aparece no centro da máquina

Os números ajudam a entender a direção desse ecossistema. Entre as publicações com Lula, 34% buscavam atacar sua candidatura e 39% tinham finalidade de humor ou sátira. Já entre as peças com Flávio Bolsonaro, 40% tinham como objetivo favorecer sua candidatura e 28% eram de humor ou sátira.

O levantamento também mostra que a maior parte desse material não nasceu das campanhas oficiais. Usuários comuns responderam por 47% das publicações e perfis desconhecidos por 27%. Contas oficiais de candidaturas representaram 24,5%. Isso amplia o desafio para fiscalização e responsabilização.

Deepfakes já são maioria

Dos 920 conteúdos confirmados com uso de IA, 554 eram deepfakes, cerca de 60% do total. Apenas 371 publicações estavam identificadas como material produzido ou alterado por inteligência artificial. A maioria, portanto, circulou sem a sinalização exigida pelas regras eleitorais.

O Tribunal Superior Eleitoral proíbe deepfakes na propaganda política e também exige identificação para outros conteúdos sintéticos. Na reta final do primeiro turno, a circulação desse material mostra como a disputa política passou a conviver com uma produção industrial de imagens, vídeos e vozes capazes de embaralhar o que é real e o que foi fabricado.

A mentira ficou mais barata

A dimensão do problema não está apenas na quantidade. Ferramentas de IA reduziram drasticamente o custo de produzir peças convincentes, multiplicar versões de uma mesma mentira e espalhá-las por contas anônimas. Quando o principal candidato retratado aparece centenas de vezes nesse ambiente, a disputa deixa de ser apenas por propostas e passa também pela defesa da própria realidade.

Para o eleitor, a regra básica ficou ainda mais urgente: desconfiar de vídeos surpreendentes, procurar a origem da publicação, conferir se a fala aparece em canais oficiais e evitar compartilhar conteúdo político sem saber de onde veio. A eleição de 2026 já mostrou que a inteligência artificial não é um problema do futuro. Ela está dentro da campanha agora.

Fontes consultadas (2)
  • Agência Brasil, 2 de outubro de 2026
  • Agência Brasil, 1º de outubro de 2026
Encontrou algum problema?Informe um erro nesta matéria