
Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno da eleição presidencial com uma nova cobrança sobre o destino de suas emendas. Recursos indicados pelo senador para a saúde de Mesquita, no Rio de Janeiro, foram usados para pagar R$ 666 mil ao Instituto de Medicina e Projeto, o IMP, entidade que depois foi declarada inidônea pela prefeitura.
O caminho do dinheiro foi rastreado pelo UOL. Em 2024, Flávio destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica do município, governado pelo PL. Em agosto de 2025, R$ 666 mil desses recursos foram repassados ao IMP, contratado para gerir serviços públicos de saúde.
Entidade foi declarada inidônea
Em abril de 2026, a Prefeitura de Mesquita rescindiu os contratos com o instituto, aplicou multa de R$ 3 milhões e proibiu novas contratações por dois anos. A decisão administrativa cita o uso de nomes de pessoas falecidas na governança da entidade. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.
Em junho, a Receita Federal enquadrou o IMP como inexistente de fato. Documento obtido pelo UOL registra razões que indicariam a constituição da entidade para fraude fiscal, inclusive em benefício de outras empresas. A classificação ocorreu depois do pagamento feito com a verba indicada por Flávio.
Contratos passaram de R$ 580 milhões
O IMP assinou contratos superiores a R$ 580 milhões com a Prefeitura de Mesquita entre 2019 e 2024. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro examinou a relação do município com o instituto e apontou falta de estudos técnicos, indícios de conluio na disputa e documentos assinados em nome de uma pessoa morta desde 2017.
A prefeitura informou que manteve temporariamente os serviços apenas para evitar a interrupção do atendimento durante a transição. Também declarou que instaurou processo de responsabilização, rescindiu os contratos, aplicou a multa e declarou a entidade inidônea.
Flávio diz que não escolheu a contratada
Flávio Bolsonaro afirmou ao UOL que não indica as empresas contratadas pelos órgãos que recebem suas emendas. A Prefeitura de Mesquita também declarou que a escolha da executora cabe ao município, sem participação do parlamentar.
A indicação parlamentar levou o recurso federal ao Fundo Municipal de Saúde. A contratação do IMP foi feita pela prefeitura. O dado documentado é que R$ 666 mil da emenda de Flávio acabaram pagos a uma entidade que, meses depois, foi declarada inidônea, multada e encaminhada ao Ministério Público.
Fontes consultadas (5)
- UOL, 1º de outubro de 2026
- Prefeitura de Mesquita, Diário Oficial de 7 de abril de 2026
- Prefeitura de Mesquita, decisão de recurso administrativo, 2026
- Ministério Público do Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2025
- Agência Brasil, foto de 4 de outubro de 2026
